Os bons e os maus – a desumanização perante a força de um sistema

Este vídeo da Revista Superinteressante (5min44s) (“A Origem do Bem e do Mal”) fala de um experimento realizado na década de 70 que evidenciou as dinâmicas sistêmicas resultantes da identificação de um indivíduo com um grupo, capazes de despersonalizar o indivíduo e levá-lo a assumir comportamentos de “bom” ou “mau” conforme a posição em que está posicionado no sistema.

O vídeo questiona: “enquanto o país fundado pelas vítimas do Holocausto transformou-se em vilão, a pátria de Hitler virou exemplo de fofura. Afinal, os israelenses são bons ou maus? E os alemães?”. E dá exemplos de rótulos que inundam as redes sociais, como forma de uns se sentirem “bons” ao atribuírem a outros a condição de “maus”: reacionários, comunistas, petralhas, coxinhas, macacos, argentinos, burgueses, terroristas, etc.

Na política vemos a mesma dinâmica: os que antes eram os “bons” da oposição e atacavam duramente as atitudes dos governantes, julgando e atirando pedras, “viraram a mesa” e depois, ocupando o lugar de governantes, fizeram igual aos que eles mesmos criticavam e hoje são considerados “maus”. E os que hoje estão na oposição? Mudou algo na natureza humana? Ou só mudaram as posições de cada grupo no sistema?

Parabéns à Revista Superinteressante por levantar essa reflexão em meio a tanta barbárie que temos visto na mídia. Para servir à paz é fundamental reconhecer-se primeiro como um ser humano igual a todos os demais, sujeito às mesmas forças do inconsciente coletivo.

Sobre Sami Storch

Juiz de Direito no Estado da Bahia, atualmente em exercício na Comarca de Itabuna. Graduado na Faculdade de Direito da USP, Mestrado em Administração Pública e Governo (EAESP-FGV/SP) e Doutorando em Direito na PUC-SP, com tese em desenvolvimento sobre o tema "Direito Sistêmico: a resolução de conflitos por meio da abordagem sistêmica fenomenológica das constelações familiares". Cursei diversos cursos de formação e treinamentos em Constelações Sistêmicas Familiares e Organizacionais segundo Bert Hellinger e hoje coordeno e leciono no Curso de Pós-Graduação Hellingerschule de Direito Sistêmico pela Faculdade Innovare. Desde 2006, venho ministrando palestras e workshops de constelações familiares e obtendo altos índices de conciliações com a utilização dos princípios e técnicas das constelações sistêmicas para a resolução de conflitos na Justiça. Meu foco é a aplicação prática, no exercício das atividades judicantes, dos conhecimentos e técnicas das constelações familiares. O objetivo é utilizar a força do cargo de juiz para auxiliar na busca de soluções que não apenas terminem o processo judicial, mas que realmente resolvam os conflitos, trazendo paz ao sistema. Contato: direitosistemico@gmail.com
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

8 respostas para Os bons e os maus – a desumanização perante a força de um sistema

  1. Gil Thomé disse:

    Grata por compartilhar o vídeo, Sami!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gil Thomé disse:

    E seu texto está ótimo.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Cláudia Cruz disse:

    Gostei muito do post e do vídeo, vou usar com meus alunos! Obrigada Sami!

    Curtir

  4. Karla Menezes disse:

    Boa tarde Sami,

    Lerei com atenção.

    A respeito do bem e do mal, já venho estudando há tempos, todas essas dicotomias rígidas me chamam muito a atenção e haja projeções, não?

    Um livro que recomendo é o de Flávio Gikovate, “O Mal, o Bem e mais além”, se me permite a indicação.

    Abraço fraterno,

    assinatura

    Curtido por 1 pessoa

  5. Caro Sami, você sabe que quero me colocar ao seu lado nessa sua missão de pacificar as relações humanas observadas do ponto de vista do Direito e do correto sentido da Justiça. Sabemos que só existe Justiça se ela estiver acompanhada do Amor, certo? Achei o pequeno vídeo da Superinteressante muito bom. Mostra, em breves 4 minutos, com agilidade, clareza e objetividade, com que facilidade o ser humano é capaz de gerar a desumanização e em seguida praticar atrocidades inimagináveis, como sabemos que praticou no passado e continua praticando no presente. O fanatismo, que assistimos estarrecidos do tal exército islâmico, os genocídios praticados entre as tribos africanas ou do tal Boko Haran, no Senegal, ver Israel perder totalmente o rumo que lhe deram seus fundadores, são o laboratório vivo da tese mostrada no vídeo. Parabéns pelo seu trabalho e seu blog. Abraços.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s