“A terapia da justiça e do perdão” (reportagem da revista Scientific American Mente Cérebro)

Estudos comprovam eficácia da Justiça Restaurativa para autores e vítimas de crimes

A revista Scientific American Mente Cérebro (edição de outubro/2014) publicou reportagem sobre pesquisas realizadas nas Universidades da Pensilvânia e de Cambridge, que constataram que a prática da justiça restaurativa apresenta benefícios tanto para a vítima, reduzindo a incidência dos efeitos do estresse pós-traumático, quanto para os infratores, reduzindo a reincidência.

Nas experiências com a utilização de constelações familiares na área criminal temos observado, a partir de relatos dos participantes, como a abordagem sistêmica fenomenológica se integra no processo de justiça restaurativa e o potencializa, trazendo maior conformação à vítima e sensibilizando o autor da agressão, com intervenções simples e rápidas.

Trata-se de um novo campo de aplicação das constelações, que estão apenas começando a mostrar seu imenso potencial na área criminal.

Leia a íntegra da reportagem (original em http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_terapia_da_justica_e_do_perdao.html):

A terapia da justiça e do perdão
Encontro entre vítima e agressor pode trazer alívio para ambos

outubro de 2014

Robert Voight/Shutterstock

Em muitos casos, o sistema legal não consegue ajudar quem sofreu uma ofensa nem quem a praticou. Anos depois de um crime, a pessoa que sofreu a agressão ainda pode sofrer de estresse pós-traumático, e os ex-condenados muitas vezes apresentam dificuldades depois de sair da prisão. Não é novidade que uma reabilitação ineficaz costuma significar o retorno à prática de delitos.

Na opinião de alguns especialistas, no entanto, o método da justiça restaurativa (em que réus e agredidos ficam face a face) pode ajudar nessas situações e mudar a trajetória dos envolvidos, em geral traumática.

A maioria das vítimas que se dispõe a participar desse processo frequentando grupos de discussão e tem acesso ao depoimento dos criminosos depois de algum tempo sentem que podem perdoá-los. Os infratores, por sua vez, alegam sentir responsabilidade por suas ações. Dois estudos recentes randomizados controlados reforçam o crescente corpo de pesquisa sobre a eficácia desse tipo de abordagem.

A criminologista Caroline M. Angel e seus colegas, da Universidade da Pensilvânia, analisaram os efeitos da justiça restaurativa para as vítimas e os agressores em casos de roubos e furtos em Londres. Pessoas que passaram por situação de violência foram encaminhadas aleatoriamente para dois grupos: um atendido apenas pelo sistema judicial convencional, e outro que incluia reuniões de justiça restaurativa. Paralelamente, facilitadores treinados propuseram a infratores que discutissem sobre os efeitos do crime na vida das vítimas e de seus familiares e amigos.

Aproximadamente 25% das pessoas atendidas somente pelo sistema de justiça criminal apresentaram sintomas clínicos de estresse pós-traumático, mas apenas 12% das pessoas do outro grupo manifestaram esses sinais. “Um dos pontos mais interessantes da justiça restaurativa é que permite às vitimas ressignificar a própria vida e curar algumas feridas ao longo desse processo”, diz a pesquisadora.

O segundo estudo, coordenado pelos criminologistas Lawrence Sherman e Heather Strang, da Universidade de Cambridge, se propunha a avaliar se esses métodos podem reduzir a reincidência. A pesquisa, publicada em março na Journal of Quantitative Criminology, analisou dez estudos que utilizaram controles randomizados para investigar o efeito das reuniões de justiça restaurativa nos infratores. Os cientistas constataram que os criminosos que participaram dessas discussões cometeram menos crimes subsequentes.

Apesar do excelente custo-benefício, o uso dessa prática ainda é bastante restrito. Defensores da técnica acreditam que a cultura de punição severa e a necessidade de políticos de serem vistos como rigorosos em relação ao crime interferem na aceitação do método.

Sobre Sami Storch

Juiz de Direito no Estado da Bahia, atualmente em exercício na Comarca de Itabuna. Graduado na Faculdade de Direito da USP, Mestrado em Administração Pública e Governo (EAESP-FGV/SP) e Doutorando em Direito na PUC-SP, com tese em desenvolvimento sobre o tema "Direito Sistêmico: a resolução de conflitos por meio da abordagem sistêmica fenomenológica das constelações familiares". Cursei diversos cursos de formação e treinamentos em Constelações Sistêmicas Familiares e Organizacionais segundo Bert Hellinger e hoje coordeno e leciono no Curso de Pós-Graduação Hellingerschule de Direito Sistêmico pela Faculdade Innovare. Desde 2006, venho ministrando palestras e workshops de constelações familiares e obtendo altos índices de conciliações com a utilização dos princípios e técnicas das constelações sistêmicas para a resolução de conflitos na Justiça. Meu foco é a aplicação prática, no exercício das atividades judicantes, dos conhecimentos e técnicas das constelações familiares. O objetivo é utilizar a força do cargo de juiz para auxiliar na busca de soluções que não apenas terminem o processo judicial, mas que realmente resolvam os conflitos, trazendo paz ao sistema. Contato: direitosistemico@gmail.com
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